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Internacional

Congresso do Peru abre processo de impeachment do presidente

Parlamentares aprovam abertura de processo contra Martín Vizcarra por "incapacidade moral", sob acusação de que ele tentou obstruir investigação de corrupção

14 setembro 2020 - 10h07Por André Dorea

O Congresso do Peru aprovou nesta sexta-feira, 11, por 65 votos a favor, 36 contra e 24 abstenções, a moção de vacância, abertura de um processo para destituir o presidente Martín Vizcarra por "incapacidade moral". Se aprovada, será a segunda destituição em 20 anos no Peru. Antes da votação, o governo classificou a ação como um "golpe de Estado".

Vizcarra, que assumiu o poder em março de 2018 após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski, do qual era vice, aparece em áudios que se tornaram públicos pedindo a seus assessores que mentissem em uma investigação parlamentar sobre um contrato polêmico com um cantor. Ao apoiar a moção no plenário, o deputado oposicionista José Vega disse que os áudios "corroboram" as supostas irregularidades que o Congresso apura há meses.

"Peço ao Congresso que analise a situação com cautela, com responsabilidade e tome a decisão que julgar apropriada", disse Vizcarra ao visitar o laboratório encarregado de testar uma potencial vacina chinesa contra o covid-19 com 6 mil voluntários peruanos, antes do resultado do Parlamento. Ele disse ainda que não renunciaria e recebeu o apoio do ex-presidente Ollanta Humana (2011-2016), que afirmou que Vizcarra deve continuar até completar seu mandato, em 28 de julho de 2021.

"Esta é uma crise institucional provocada por círculos próximos ao presidente e perigosamente utilizada pelo Congresso. Não cabe vacância, Vizcarra deve continuar, cuidar da saúde, reativar a economia e garantir eleições limpas", tuitou Humala.

O caso estourou em maio, quando a imprensa descobriu que em plena pandemia o Ministério da Cultura havia contratado o cantor Richard Cisneros, conhecido como Richard Swing, como palestrante e apresentador. Cisneros se gabava na mídia de ter sido conselheiro do governo de Vizcarra. O Parlamento abriu uma investigação sobre os supostos contratos irregulares pelos quais Cisneros teria recebido US$ 10 mil.

Mentiras

Em três áudios divulgados no Congresso peruano na quinta-feira, 10, Vizcarra pede às assessoras Miriam Morales e Karem Roca que mintam sobre a quantidade de vezes que Cisneros foi ao palácio do governo. "É preciso dizer que ele entrou duas vezes", pede Vizcarra. "O que fica claro é que nessa investigação todos estamos envolvidos", acrescenta o presidente.

As gravações de Vizcarra foram entregues pelo deputado Edgar Alarcón, presidente da comissão que investiga o caso do ex-assessor do presidente.

"Não vou renunciar, não vou correr", disse o presidente na quinta-feira à noite na TV, negando quaisquer atos ilegais. "Estamos diante de uma conspiração contra a democracia", disse Vizcarra, que conquistou apoio popular por sua cruzada contra a corrupção.

Mas, logo depois, seis dos nove partidos com representação no Congresso anunciaram a apresentação da moção para declarar a "vacância" da presidência. A crise deve afetar ainda mais o Peru um dos países mais atingidos pela pandemia de covid-19 no mundo com mais de 700 mil infecções e 30 mil mortes.

A moção lembra duas iniciativas semelhantes movidas contra Pedro Pablo Kuczynski em dezembro de 2017 e março de 2018, o que levou à renúncia do ex-banqueiro. Ela requer 52 votos para ser admitida para debate e para iniciar o processo formal de impeachment e votação em quatro dias. O Congresso precisa de 87 votos para destituir Vizcarra, que não tem partido, nem bancada.

Em caso de destituição, o presidente do Congresso, Manuel Merino assumirá o poder até o restante do mandato, que termina a 28 de julho de 2021.

 

 

* Com informações AE